Respeitar os Animais Não É Fazer Reciclagem

Reciclagem

Existe uma mentalidade prevalecente na sociedade que encara o respeito pelos outros animais da mesma forma que encara a protecção do ambiente, como se respeitar mais ou menos os animais fosse o mesmo que fazer mais ou menos reciclagem. Não é. Respeitar os animais é uma questão de justiça, e a justiça não se aplica aos pedaços.

Todos concordamos que é melhor reciclar mais do que reciclar menos. Reciclar 80% do lixo é melhor que reciclar 50%, que é melhor que reciclar 20%, que é melhor que não reciclar nada. E isto faz todo o sentido, porque não está directamente em causa o respeito por direitos de outros. Mas no que toca ao respeito pelos direitos de outros, esta lógica não é de todo aplicável. Tu não respeitas os direitos humanos em 80%, pois não? O mesmo é válido para o respeito pelos outros animais.

Infelizmente, recebemos constantemente mensagens incoerentes sobre o que significa respeitar os outros animais. Por exemplo, dizem-nos para não comer carne uma vez por semana, como se houvesse alguma diferença entre comer carne e outros produtos provenientes de animais que são explorados e mortos exactamente da mesma forma. Ou como se respeitar os direitos dos outros uma vez por semana fosse algo de louvável. Assim, não passamos da cepa torta. Piscadela

Nós temos uma capacidade extraordinária de racionalizar aquilo que fazemos e, lamentavelmente, justificar o injustificável. E isso torna tão mais difícil abandonar velhos hábitos e tão mais fácil recair no padrão de consumo que a sociedade nos incute. E se as tradicionais grandes organizações de “direitos dos animais” nos dizem para comer menos carne, comemos menos carne e convencemo-nos de que estamos a fazer a nossa parte. E se nos dizem para não comprarmos ovos de galinhas enjauladas, compramos ovos de galinhas que são exploradas e mortas fora de jaulas e convecemo-nos de que estamos a fazer a nossa parte. E se nos custa tanto deixar de comer aquela piza com queijo, convencemo-nos de que comer um pouco de queijo de vez em quando não provoca nenhum sofrimento significativo e continuamos a fazê-lo. E vamos continuando a arranjar desculpas para não dar o passo mais importante para defender os animais: adoptar o veganismo.

Mas não há desculpa suficientemente boa que consiga mudar a realidade. E a realidade é que exploramos e matamos todos os dias milhões de animais (com tendência de aumento exponencial) apenas para satisfazer o nosso paladar e a nossa conveniência, seja qual for a desculpa que utilizemos.

E enquanto não deixarmos de aplicar a mentalidade da reciclagem à forma como tratamos os outros animais, vamos continuar a achar que o veganismo é essa coisa dificílima de alcançar, o supra-sumo da defesa animal. Mas quando finalmente percebemos que se trata de um princípio básico de justiça, tudo se torna tão mais fácil e claro.

O veganismo não é simplesmente um meio para reduzir o sofrimento animal. O veganismo é a única forma de nos desligarmos da exploração animal, independentemente da redução imediata no sofrimento animal. O veganismo é a única forma de colocar em causa todo o sistema de exploração animal e contribuir para uma mudança de paradigma, para uma mudança na forma como a sociedade encara os outros animais.

O veganismo é o mínimo que devemos aos outros animais, e é por aqui que começamos a mudar o mundo. Desliga-te da violência, abraça o veganismo. Sorriso

Publicado terça-feira, 8 de Maio de 2012

3 Comentários