Nem Touros na Arena, Nem Vacas no Prato

Nem Touros Nem Vacas
Campanha «Nem touros nem vacas» da organização
espanhola DefensAnimal, em 15/07/12, Valência

Nos últimos dias, muito se tem falado sobre touradas, com calorosas trocas de argumentos entre os seus proponentes e os seus opositores. Os defensores das touradas têm feito o seu papel, como seria expectável. Mas, para os “defensores dos animais”, a oposição à tourada em Viana do Castelo foi mais uma oportunidade perdida para informar a população sobre o especismo e sobre o que significa respeitar os direitos dos animais...

A injustiça de usar um touro numa arena é exactamente a mesma injustiça que existe em consumir qualquer produto proveniente de um animal que foi explorado e morto para esse fim, seja esse produto leite de vaca, carne de porco ou ovos de galinha. Quando nos opomos às touradas sem falarmos noutras formas de exploração muito mais prevalecentes e igualmente condenáveis, estamos a insinuar que são coisas distintas e não estamos a fazer nenhum favor aos animais. Pelo contrário, estamos a confundir o público e estamos implicitamente a dizer que quem é contra touradas já cumpre a sua obrigação moral (mínima) para com os animais — o que é absurdo. A nossa obrigação mínima para com os outros animais é o veganismo: a nossa obrigação mínima é não os usarmos como se fossem nossa propriedade, nada menos que isso. Se ao menos não tivéssemos receio de o dizer, certamente mais pessoas teriam oportunidade de compreender o que significa realmente respeitar os direitos dos animais e escolheriam actuar em conformidade.

Respeitar os direitos dos animais não se resume a ser contra as touradas, nem as touradas são alguma espécie de ícone da exploração animal. A verdade é que o número de touros explorados e mortos nas touradas é insignificante face ao número de animais explorados e mortos na indústria alimentar pelo seu leite, pelos seus ovos e pela sua carne. Em 2011, o número de touros usados em touradas em Portugal foi de 1611. Por sua vez, no mesmo ano, o número de animais mortos para alimentação foi de 210 002 791 (ultrapassou os 210 milhões!). Ou seja, as touradas representam menos de 0,0008% dos animais mortos na indústria alimentar. Em Portugal, a cada 4 minutos e 2 segundos, são mortos tantos animais pela indústria alimentar quantos touros em touradas num ano inteiro. Por outro lado, os animais usados na indústria alimentar são, geralmente, sujeitos a condições de vida muito piores que os touros usados nas touradas.

Claro que respeitar os direitos dos animais não é uma questão de números, é uma questão de respeitar cada indivíduo — um só touro que seja explorado é um touro a mais a ser explorado. E claro que respeitar os direitos dos animais também não é uma questão de usar os animais em melhores condições de bem-estar, é uma questão de não os usar de todo — por melhores que fossem as condições de bem-estar de um touro, nada justificaria que ele fosse usado numa tourada. Mas, se escolhemos focar o nosso escasso tempo e recursos nas touradas em vez de promover o respeito por todos os animais (em vez de promover o veganismo) era bom que tivéssemos uma justificação mesmo muito boa para o fazer.

A justificação mais comum para esta abordagem absolutamente discrepante é dizer-se que as touradas são uma coisa à parte, porque os touros são explorados simplesmente para divertimento da audiência. Mas e as vacas e os outros animais usados na indústria alimentar? Não são eles explorados e mortos apenas para conveniência e satisfação do paladar de quem consome o seu leite, os seus ovos e a sua carne? É tão errado e tão injustificado sentarmo-nos em volta de uma arena para tirar prazer da violentação de um touro quanto é reunirmo-nos em torno do churrasco para tirar prazer de comer pedaços de uma vaca que foi explorada e morta precisamente para esse fim. Não há nenhuma diferença moral.

Nem touros na arena, nem vacas no prato. Desliga-te da violência, abraça o veganismo. Sorriso

Publicado segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

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